sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Comentários sobre os Blogs de Educação a Distância (EaD)
Recursos inseridos e bom senso
Existem modelos de ensino a distância que acreditam que um curso deve ser recheado de mídias, com um pouco de tudo: animações 2D, 3D, objetos de aprendizagem interativos, videoaulas, podcasts, arquivos em PDF etc.
Além de apresentar esta diversidade, tais modelos ainda mantêm uma regularidade quantitativa, cada curso apresenta a mesma quantidade disso e daquilo. Esta igualdade decorre do fato de que não existe uma identificação das necessidades e características do público alvo e sim uma produção guiada por procedimentos operacionais padrão. A massificação da produção exclui a fase de análise, a pergunta “produzir para quem ?” se desfaz, a transformação da educação em Commodity excluiu o pensar, não existe tempo para isso em linhas de produção da MacEaD.
A automação dos processos faz com que equipes inteiras não dialoguem entre si, o curso é “dividido” entre setores que passam a elaborar recursos para tornar o material hollywoodiano, isto mascara o fato do empobrecimento do processo de ensino e aprendizagem.
O aluno ao adquirir este curso hollywoodiano fica maravilhado e acredita que o perfeito acabamento de layout e mídia torna aquele curso excelente, esquece-se que o fundamental do processo de ensino e aprendizagem está ausente. O tutor certamente está esmagado em um ritmo louco de interação de 01 tutor para milhares de alunos, restando – muitas vezes – apenas postar respostas padronizadas oferecidas pelo sistema.
A necessidade da identificação do público alvo é fundamental, tais informações irão lhe guiar sobre o que inserir, quando e como.
Recentemente produzi um material para um grupo de professores localizados em uma cidade do interior do Estado de Mato Grosso do Sul e diversos fatores foram levados em consideração, tais como:
- Qualidade de conexão: diferente dos grandes centros, lá eles possuem internet via rádio. Portanto foram descartados os vídeos em alta definição e os demais tipos de arquivos foram fragmentados em tamanhos mais “leves”.
- Vídeo: ao exportar o vídeo via Premiere, as configurações foram manipuladas de forma a deixar cada vídeo com um tamanho máximo de 10 MB.
- Informações: devido ao fato de não possuírem uma familiaridade com e-learning, o manual do aluno foi trabalhado, deixando bem claro a maneira como acessar, inclusive com a inserção de diversos prints de tela.
Sem dúvida nenhuma, curso bom é aquele bem dosado, onde o uso de cada ferramenta tem um porque, nada esta ali por acaso, houve uma análise prévia.
Saliento também a importância de se deixar os modismos de lado, claro que tudo que surgir em termos de ferramentas para educação é saudável que você explore e conheça, mas utilize apenas o que você já conhece, monte um leque de opções, tenha sua caixinha de ferramentas para EaD. Desta forma, ao produzir seu curso você terá muito mais confiança na escolha dos recursos.
Confesso que houve um tempo no qual achava que um material didático deveria ser recheado de recursos midiáticos, mas nada melhor que o tempo, a experiência e a humildade para que possamos identificar nossos erros e fazer com que trilhemos o caminho correto.
Antes de finalizar este post, ressalto a importância de você sempre se perguntar no início de cada produção: qual o perfil do aluno que irá acessar este material que irá elaborar?
Fonte:
A EaD no Brasil - um breve resumo
Novas tecnologias exigem novos conteúdos
Novas tecnologias exigem novos conteúdos
O mercado editorial e as empresas de sistemas de ensino começam a se preparar para uma nova realidade: a do livro didático digital. Com dispositivos como laptops, e-books e iPads, um novo cenário se apresenta para a educação. E também novos desafios. “Novas tecnologias requerem novos conteúdos”, diz Ana Teresa Ralston, diretora da tecnologia de educação e formação de professores da Abril Educação – grupo que reúne editoras e sistemas de ensino e é controlado pela família Civita, que também é dona da editora Abril, que publica VEJA. Convidada a falar sobre o tema em um painel especial da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que se encerra neste domingo, a especialista, diz que ainda é preciso investir tempo e recursos para criar um livro didático 100% digital e multimídia. Confirma a seguir os principais trechos da entrevista.
O futuro do livro é incerto, mas o processo de digitalização já começou, com os e-books, iPads e outros dispositivos. Em relação às obras didáticas, o que é possível constatar?
É possível dizer que temos uma revolução escondida. Uma revolução que já começou, mas que escapa à nossa observação porque acontece no processo de produção do livro didático. Ao produzi-lo, já utilizamos todos os artefatos tecnológicos disponíveis. Porém, o que se analisa agora é quando isso estará presente na versão final do livro, ou seja, quando ele será completamente multimídia e virtual. Muitos estudiosos apontam que a educação levará mais tempo do que outras áreas para incorporar todas essas inovações.
Qual a razão dessa demora?
No meio educacional, as tecnologias demoraram mais a serem incorporadas, em virtude das mudanças que elas imprimem nos padrões, na formação dos educadores, na produção do material de apoio e na infraestrutura das escolas. Novas tecnologias requerem novos conteúdos, e, para isso, é preciso profissionais capacitados, preparados para produzir esse novos conteúdos. Além disso, o professor que irá usar essas ferramentas também precisa ser formado para a essa tarefa.
Então, o que ocorre nesse processo não é a simples digitalização do conteúdo impresso, mas, sim, a criação de novos conteúdos.
É importante lembrar que, quando falamos desse processo, abordamos três elementos distintos: o livro didático impresso, o livro didático impresso digitalizado – e isso já fazemos – e o livro 100% virtual. Nesse último, o que ocorre não é a simples transferência do impresso para o digital. É uma outra comunicação, que acontece em outra mídias. E acho que esse é o grande desafio: a maneira como organizamos os conteúdos na mídia impressa é diferente da maneira como o fazemos na mídia digital.
Esse novo tipo de conteúdo, mais familiar aos alunos que já utilizam as tecnologias fora da sala de aula, pode alimentar o interesse dos estudantes pelo que se ensina nas escolas?
Quando trabalhamos com soluções digitais, procuramos entrar em sintonia com a linguagem do aluno. Mas essas soluções precisam ser utilizadas com orientação pedagógica para que sejam significativas. Caso contrário, viram só distração.
Como evitar que o livro didático digital seja uma armadilha?
Eu costumo dizer que o meio digital evidencia uma aula mal dada. Às vezes, temos uma aula que não foi a ideal, mas não há registros dela. Já com a tecnologia digital tudo fica registrado. Então, é preciso usá-la para enfatizar boas práticas, para ilustrar situações que não seriam possíveis de outra forma. A tecnologia é um recurso poderoso, viável e possível e não deve ser usado como enfeite. Para isso, é importante pensar quais recursos são relevantes para esse novo ambiente. Caso contrário, retira-se essa relação afetiva que temos com o papel e com a leitura sem adicionar nenhum ganho.
Quais podem ser os ganhos da adoção da tecnologia na educação?
São as possibilidades de interação, de animação, de ilustração, de relacionar os conteúdos e fazer pesquisas. Em disciplinas como química, física e biologia, por exemplo, é possível simular situações. O professor pode ainda trabalhar infográficos de tempos históricos e evoluções geológicas. Pode trabalhar com pesquisas imediatas dos assuntos que estão sendo trabalhados naquele momento. É possível estimular o aluno para a possibilidade de troca, de colaboração, de construção do conteúdo em conjunto. Esse tipo de habilidade e competência é uma demanda do mercado de trabalho. E se o aluno começar a vivenciar isso no mundo da escola, ele vai poder ter essa habilidade como algo natural no mundo do trabalho.
Quais as dificuldades envolvidas na criação de um livro didático multimídia?
Precisamos conceber um produto diferente, não apenas digitalizar o que já existe. Além disso, precisamos viabilizar o acesso a todas as escolas brasileiras, nos mais remotos lugares. Aí, temos o desafio da entrega – e também da produção. Hoje, apenas começamos a trabalhar com alguns componentes agregados, ou seja, a pensar conteúdos de forma integrada.
As empresas de sistemas de ensino já estão se preparando para essa nova realidade?
Já. A digitalização de livros e apostilas já existe. O que começamos a fazer agora é desenvolver o material integrado: o meio impresso e o meio digital. O esforço é na produção de conteúdos virtuais, cada vez mais relevantes, integrados e efetivos. Ainda não pensamos em um produto 100% digital porque pensamos antes no material impresso, e depois partimos para o virtual. Acredito que pensar a totalidade do produto no ambiente virtual seja o nosso próximo passo.
Alguns especialistas pregam o fim do livro tal como nós o conhecemos, enquanto outros defendem que, apesar dos avanços tecnológicos, ele jamais deixará de existir. Quais são suas previsões?
Acho que ainda é cedo para previsões. Contudo, é hora de pensar nas evoluções da integração das mídias e se preparar para elas. Particularmente, não acredito que teremos uma mídia só. Aposto em uma segmentação. Nós pensaremos sobre qual a melhor forma de transmitir cada conteúdo. Ainda temos gerações que possuem uma relação muito próxima com o livro e alguns conteúdos seguirão sendo consumidos na mídia impressa. O que talvez tenha mudado é que hoje avaliamos o conteúdo antes de consumi-lo. Então, baixamos um livro no Kindle, por exemplo, e, se gostamos da leitura, compramos a versão impressa.
PDF – As novas tecnologias da informação numa sociedade em transição
Fonte:
O Sucesso da Educação a Distância no Brasil - Reportagem do Bom dia Brasil
Determinação e persistência em aprender a aprender
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Internet nas escolas – Pesquisa
A matéria abaixo aponta muito bem a deficiência dos professores e alunos em se interagirem virtualmente no Brasil em relação aos outros países onde isso acontece com frequência.
Internet nas escolas – Pesquisa
Agência FAPESP – O Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) divulgou os resultados da primeira edição da Pesquisa TIC Educação, realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (Cetic.br) do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).
Segundo a pesquisa, 81% das escolas públicas urbanas possuem laboratório de informática. O acesso à internet ocorre a partir desses laboratórios, já que em 86% das escolas entrevistadas os computadores estão conectados à rede.
Para os diretores, professores e coordenadores pedagógicos da amostra, a infraestrutura, no entanto, não é suficiente para o ensino do uso do computador e navegação na internet aos alunos, o que torna a atividade menos frequente.
Segundo os educadores, o fator de limitação para o uso efetivo das tecnologias de informação e comunicação seria o número insuficiente de computadores conectados à internet e a baixa velocidade de conexão.
Fora do ambiente escolar a rede também é um instrumento pouco utilizado para organizar e mediar a comunicação entre professor e aluno e entre os alunos. Apenas 20% dos professores entrevistados utilizam a internet para esse tipo de atividade.
A principal barreira indicada pelos professores, para maior aproveitamento no uso das tecnologias de informação e de comunicação na escola, está relacionada ao seu nível de conhecimento sobre o uso dessas ferramentas. A maioria dos docentes (64%) concorda que os alunos sabem mais sobre computador e internet do que eles.
Os resultados apresentados pela TIC Educação representam a análise dos dados coletados em escolas públicas de áreas urbanas em todas as regiões do Brasil. Para a pesquisa foram entrevistados 1.541 professores, 4.987 alunos, 497 diretores e 428 coordenadores pedagógicos em 497 escolas brasileiras.
Veja a apresentação e os destaques da pesquisa TIC Educação 2010